quinta-feira, 23 de maio de 2013

Questões por e-mail - com José Trindade Santos









L.B.T. : Se tiverem para si alguma pertinência estas questões: 
Parece-me haver um sentido interrogativo originário (ou elementar?), se assim posso dizer, relativamente à antepredicatividade, nomeadamente em Parménides. Mas terei de ler muito mais.
Este sentido interrogativo parece-me manifestar-se numa prévia articulação, que por ora não sei explicitar melhor, de afirmação e negação, aonde se poderá precipitada e erroneamente supor uma fusão e confusão, uma visão híbrida, digamos, entre estas duas instâncias. Porquê? Porque esta visão híbrida de afirmação e negação, deve-se, talvez, a pensar-se aquele sentido interrogativo com base num pensamento predicativo, categorial, onde, segundo Aristóteles, como ponto de partida, o predicado (kategoroumenon) de uma proposição (protasis) é o que se afirma ou se nega de um sujeito...
Quer dizer que haverá um estádio interrogativo aonde a relação afirmação / negação difere daquela que é considerada predicativamente.
Assim, e tentando ser breve:
1. Em "o que é" (to eon) de Parménides poder-se-á falar de um sentido interrogativo, suspendendo, enquanto antepredicativo, o predicativo?
2. Em que medida este possível sentido interrogativo é condição de possibilidade para o antepredicativo enquanto prévio à afirmação e negação no plano predicativo?
Desculpe-me algumas eventuais imprecisões e... confusões...
A mensagem era para ir só com o que vai nos pontos "1." e "2."


20/05/2013

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J.T.S. : As suas considerações iniciais são confusas. As perguntas, pelo contrário, bem claras! Passo a uma breve resposta.
1. Em "o que é" (to eon) de Parménides poder-se-á falar de um sentido interrogativo, suspendendo, enquanto antepredicativo, o predicativo?
Não há suspensão! O logos predicativo ainda não foi estruturado. A noção de onoma (nome) não é equivalente à de Platão, no Sofista.
2. Em que medida este possível sentido interrogativo é condição de possibilidade para o antepredicativo enquanto prévio à afirmação e negação no plano predicativo?
O logos ap não afirma nem nega! Nem sequer refere: o nome é um aspecto da coisa (não há cisão entre eles, menos ainda ‘significação’). Veja Sof. 261-264 para perceber o alcance da reformulação platónica!


21/05/2013

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L.B.T. : Já irei consultar Sof. 261-264.
Mas só mais uma pergunta, para já:
Como confronta o espanto, admiração, espectáculo (thauma), de que fala Aristóteles - diria que também pode entender-se como "exclamação" -, com o  antepredicativo "to eon" (o [nome] que é) de Parménides?





21/05/2013

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J.T.S. : Não vejo relação. Para thauma, v. Platão Teeteto 155d (além de Arist. Met. A2: o espanto é "as coisas serem como são"). Nos dois, o "espanto" parece ser gerado pelo envolvimento do 'saber' com o 'não saber'. O contexto é claramente predicativo, embora em Platão (Mén. 85-86) o saber surja "como num sonho".

21/05/2013




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